Holly Holm contesta decisão majoritária contra Stephanie Han: “Venci no coração

Holly Holm não ficou nada satisfeita com o resultado do revés no sistema de pontuação que sofreu na noite de sábado (30 de maio de 2026), quando reencontrou Stephanie Han e acabou derrotada pelos juízes por decisão majoritária. O combate, disputado no card do evento MVPW-03, colocou frente a frente duas atletas em um duelo que, pela leitura de Holm, deveria ter sido encerrado com o triunfo dela — principalmente depois de uma atuação em que ela superou a adversária em volume de trocas ao longo de dez assaltos.

Antecedentes

Holm e Han se enfrentaram pela segunda vez na co-luta principal do MVPW-03. O primeiro encontro entre elas havia acontecido em janeiro e terminou de maneira diferente: um choque de testa acabou interrompendo a luta e levando a disputa para as anotações dos jurados. Naquele cenário, Stephanie Han levou a melhor de forma convincente, com placares de 69-65, 69-64 e 68-65.

Já o reencontro de sábado à noite teve outra dinâmica: desta vez, Holm acredita que controlou o ritmo e a maior parte do combate, mas a leitura dos juízes não refletiu isso no placar final. As notas da arbitragem foram de 96-94, 96-94 e 95-95, resultado que consolidou a vitória de Han por decisão majoritária.

A luta

  1. O combate foi direto ao ponto de intensidade desde o início, com Han conseguindo um começo mais forte. Mesmo assim, Holm sustentou resposta na trocação e passou a encaixar mais golpes ao longo do confronto.

  2. Conforme a luta avançava, Holm tomou iniciativa e ampliou sua produção ofensiva. A superioridade dela ficou evidente no volume: ao fim dos dez rounds, os números de strikes indicaram Holm conectando 107 golpes, enquanto Han registrou 70.

  3. A partir de um determinado momento, a expectativa dos comentaristas do evento era de que Holm seria anunciada como vencedora. A percepção vinha justamente do desempenho geral dela no octógono e do domínio crescente no decorrer do combate.

  4. Quando o resultado saiu, a reação foi de surpresa: Han foi declarada vencedora no placar dos jurados, com duas notas idênticas de 96-94 e uma terceira de 95-95, repetindo a tese de que a luta poderia ter sido entregue a Holm.

O pós-luta

Holm deixou claro, na sequência da luta, que considera o resultado injusto. Em entrevista pós-resultado, ela afirmou: “Sinceramente, eu senti que ganhei essa luta”, ouvindo vaias da torcida local de Han em El Paso, no Texas.

No mesmo contexto, Holm explicou sua leitura sobre o número de rounds necessários em um duelo de dez assaltos. Para ela, Han teria vencido alguns trechos, mas não seis rounds: “Eu acho que ela teve alguns rounds, mas não seis. Para vencer uma luta de dez, você precisa levar seis assaltos. Eu não dou seis pra ela. Eu sinto no meu coração que eu ganhei”.

A campeã também apontou que a arbitragem pode ter sido influenciada por critérios de jurados que, segundo ela, não têm experiência suficiente em lutar: “O que é frustrante é que vários desses juízes não lutaram antes. E você deixa uma parte de si em cada luta. Aí, depende deles tirarem isso de você, se eles quiserem. E isso é frustrante, porque em cada confronto, o jeito como você se apresenta aqui define quais portas vão abrir… Você coloca coração e alma em tudo. E então, o que vem depois? Quais são minhas opções? Quando você vence, tem mais opções. Quando você perde, tem menos”.

Holm reforçou a mesma ideia em tom mais emocional: “É fácil pra eles irem embora e dormirem tranquilos. Mas a gente coloca tanto em cada luta. E quando o resultado sai assim? Se eu não achasse que fiz o suficiente, eu não estaria dizendo isso. Eu senti que ganhei”.

Antes disso, o ambiente do evento já havia sugerido que aquela poderia ser uma das últimas grandes performances de Holm, aos 44 anos. Quando Ariel Helwani perguntou no octógono se aquela derrota seria o ponto final da carreira, a lutadora demonstrou incerteza ao dizer que quer continuar, desde que exista justiça no caminho: “Eu quero seguir lutando, se for justo, mais ou menos”.

Ela ainda comentou a frustração acumulada pelo trabalho dedicado ao camp e pela expectativa de futuro. “Às vezes é bem desanimador você colocar tanto trabalho em algo. E eu tenho sonhos nesse esporte e tudo mais… é só frustrante”, declarou.

Nos bastidores, havia conversa sobre a possibilidade de Holm enfrentar Katie Taylor em uma luta de alto apelo financeiro. Com o revés no placar, essa chance fica ainda mais complicada, e Holm agora entra em uma fase em que pode ter menos caminhos interessantes para seguir no ringue.

Desde o retorno ao boxe em 2025, Holm aparece com retrospecto de 1-2 no período. Por outro lado, existe uma perspectiva positiva no lado do MMA: os promotores do MVP deixaram claro que têm interesse em Holm como adversária potencial de Gina Carano em um futuro próximo.

Nakisa Bidarian, cofundadora do MVP, expressou confiança de que Carano ainda tem algo a provar após a derrota muito rápida de 17 segundos para Ronda Rousey, ocorrida duas semanas antes. Bidarian também citou “The Preacher’s Daughter” como uma combinação perfeita para o cenário, indicando que a possibilidade de encontro entre as duas pode ser mantida mesmo após o resultado contra Han.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.