O’Malley mira Petr Yan, mas troca alvo e encara Aiemann Zahabi no White House

Sean O’Malley vive a expectativa de lutar no UFC White House, mas a escolha do adversário não foi o caminho mais direto. O americano—que segue no radar do cinturão peso-galo—deveria enfrentar Petr Yan, porém acabou escalado para encarar Aiemann Zahabi no dia 14 de junho, enquanto Yan segue sem luta marcada.

O que levou O’Malley a trocar o plano

Depois de uma vitória que vinha sendo necessária contra Song Yadong em janeiro, O’Malley manteve o ritmo na disputa pelo topo do peso-galo. O cenário ficou ainda mais movimentado porque Merab Dvalishvili, que já venceu O’Malley duas vezes, recentemente perdeu o cinturão para Petr Yan. Para O’Malley, que derrotou Yan em um compromisso bem disputado no UFC 280, faria sentido uma revanche com o título em jogo — mas a organização acabou chamando outro nome.

Em entrevista, O’Malley explicou que a recusa teria partido do lado de Yan. Segundo o lutador, apesar de a ideia original envolver o campeão, o planejamento não avançou.

“Eu era para lutar com o Petr Yan, o campeão, aquele russozinho”, disse O’Malley. “Eu ganhei dele na última vez, então acho que ele não quis fazer de novo agora. Acabou que eu vou enfrentar o Aiemann Zahabi, que está numa sequência de sete vitórias, é canadense. Então, olhando por esse lado, fica quase uma história de ‘América contra Canadá’, e isso dá uma empolgação.”

O’Malley também projetou as características do adversário, destacando experiência, resistência e um estilo que tende a puxar a luta para o trocador de golpes.

“É um cara bem difícil, bem durável, bem experiente. Vai ser uma luta duríssima. Ele deve trazer uma pegada mais de kickboxing, então a expectativa é um combate elétrico, com bastante trocação, ainda mais com luvas menores”, acrescentou.

“América vs. Canadá” e o duelo direto

Mesmo com a mudança de adversário e sem querer transformar a luta em um discurso político, O’Malley admitiu que a rivalidade simbólica entre países deixa o clima mais interessante. Em outro momento de fala, o lutador reforçou que, para ele, o foco segue sendo o confronto individual dentro do octógono.

“Eu não sou uma pessoa muito ligada a política, diria que nem um pouco”, afirmou O’Malley em uma entrevista separada. “Pra mim tanto faz quem eu enfrento. Mas existe esse tempero de ‘América contra Canadá’. No fim é homem contra homem. A gente vai se fechar lá na porta do octógono e ver quem desiste, quem quebra e quem cai primeiro. É assim que eu encaro cada luta.”

Ele ainda mencionou a dinâmica de torcidas e a sensação de disputa entre equipes, sem perder o ponto principal do combate.

“É divertido. Tem um pouco dessa coisa América e Canadá. Dá um extra. Tem também o lado de ‘time contra time’, porque o pessoal gosta de escolher lados… mas, no meu caso, é humano contra humano”, concluiu.

Contexto recente e a busca por uma nova chance ao cinturão

A vitória sobre Song Yadong interrompeu uma sequência negativa de dois resultados para O’Malley. As duas derrotas anteriores aconteceram em lutas valendo cinturão contra Merab Dvalishvili. Com Yan ainda sem defesa marcada, o caminho do próximo desafiante segue sem definição pública — mas O’Malley projeta que um bom desempenho no White House pode recolocá-lo na rota do título.

O lutador comentou que, se a luta contra Song tivesse sido encerrada de forma ainda mais impactante, talvez o confronto com Yan pudesse ter acontecido. Ainda assim, ele reforçou que depende do que a organização decide, enquanto sua parte é entregar espetáculo.

“Quem sabe… talvez se eu tivesse saído lá e finalizado o Song de um jeito espetacular, eu teria conseguido a luta com o Petr”, disse O’Malley. “Mas eu não sei. A UFC faz o que ela faz. O que eu posso fazer é lutar e apresentar performances. Se eu sair lá e fizer uma atuação bonita, não vejo como eu não ser o próximo da fila pelo cinturão.”

Na sequência, ele avaliou também o cenário caso a disputa siga para Merab e Petr — e como isso pode influenciar os próximos passos.

“Se for Merab contra Petr e o Merab ganhar, a gente vê como isso vai se desenrolar”, finalizou.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.